Se você está pensando em trocar de celular ou comprar um notebook novo nos próximos meses, talvez valha a pena decidir logo. Um componente pequeno e quase invisível — a memória RAM — virou o gargalo mais caro da indústria de tecnologia, e a conta está começando a chegar ao bolso do consumidor.
O que é RAM e por que ela ficou tão disputada
A RAM (sigla em inglês para "memória de acesso aleatório") é a memória de trabalho do aparelho: é ela que segura os aplicativos abertos ao mesmo tempo e mantém tudo rodando rápido. Quanto mais RAM, mais coisas o celular ou o PC conseguem fazer de uma vez sem travar.
O problema é que a mesma memória usada em celulares e computadores também é peça-chave nos data centers — os grandes galpões de servidores que treinam e rodam inteligência artificial. Com a corrida da IA, fabricantes como Samsung e SK Hynix passaram a priorizar a produção desses chips para data centers. Segundo reportagens citadas pelo Olhar Digital, uma parcela expressiva da produção global de DRAM (o tipo de memória mais comum) chegou a ser comprometida com projetos ligados à IA, deixando menos chips para o mercado de consumo.
Quanto isso deve pesar no preço
As estimativas variam conforme a fonte e o país, mas todas apontam na mesma direção: para cima.
- No mundo, o Tecnoblog cita projeções de alta de até 8% nos preços de smartphones e PCs em 2026.
- No Brasil, a Samsung projeta que eletrônicos podem ficar até 20% mais caros, enquanto a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) fala em até 30% para o consumidor final, segundo o Olhar Digital.
- Fabricantes como Dell, Lenovo e HP já estudam reajustes, e a Samsung subiu os preços da linha Galaxy.
A explicação para um impacto tão grande é que a memória pesa muito no custo final. Analistas estimam que a RAM representa cerca de 30% do preço de um smartphone básico e perto de 23% de um notebook de entrada. Quando ela encarece, sobra pouco espaço para as marcas absorverem o aumento sem repassá-lo.
Menos memória pelo mesmo dinheiro
Preço não é o único efeito. Para segurar custos, algumas marcas devem cortar a quantidade de RAM nos próximos lançamentos. Na prática, modelos intermediários podem perder as versões com 12 GB, e aparelhos de entrada podem voltar ao patamar de 4 GB de RAM — uma configuração que já parecia coisa do passado.
O reflexo também aparece nas vendas. O Tecnoblog cita projeções de retração de até 5,2% no mercado de smartphones e de 8,9% no de computadores em 2026, à medida que as pessoas adiam a troca de aparelho diante dos preços mais altos.
Vai durar quanto tempo?
A má notícia é que não parece ser passageiro. A fabricante de chips Micron afirma que a escassez de memória deve se estender para além de 2026, e algumas projeções falam em preços elevados até 2027. Enquanto a demanda dos data centers de IA seguir aquecida, a memória destinada ao consumidor continua na fila de trás.
O que isso muda pra você
Se a troca de celular ou notebook puder esperar, comparar preços e ficar de olho em promoções pode fazer diferença nos próximos meses. Se a compra é urgente, vale priorizar modelos com mais RAM agora — afinal, essa pode ser justamente a especificação a encolher nas próximas gerações. E vale lembrar que, desta vez, o vilão do preço não é bem o seu aparelho: é a fome de memória da inteligência artificial.
Esta matéria foi produzida a partir de reportagens do Tecnoblog (tecnoblog.net) e do Olhar Digital (olhardigital.com.br) sobre a escassez global de memória RAM e seus efeitos sobre os preços de eletrônicos.