Inteligência Artificial

Robotáxi da Amazon sem volante é liberado para cobrar corridas nos EUA

A Zoox, empresa de carros autônomos da Amazon, recebeu a primeira autorização dos EUA para cobrar por viagens em um robotáxi projetado sem volante nem pedais. As corridas pagas começam em Las Vegas em agosto. Entenda o que muda.

Equipe Agility4 min de leitura
Carro autônomo branco circulando por uma rua de cidade

Imagine chamar um táxi pelo aplicativo, entrar no carro e perceber que ele não tem volante, nem pedais, nem ninguém no banco da frente. Essa cena deixou de ser conceito de feira de tecnologia: a Zoox, empresa de carros autônomos comprada pela Amazon em 2020, acaba de conseguir a primeira autorização dos Estados Unidos para cobrar por viagens em um veículo desenhado, desde o início, para andar sozinho.

O que a Zoox foi autorizada a fazer

A liberação veio da NHTSA, a agência de segurança rodoviária do governo americano (o equivalente, guardadas as diferenças, a um órgão que regula o trânsito e os veículos no país). É a primeira vez que os EUA autorizam a operação comercial de um carro totalmente autônomo sem qualquer controle manual. Na prática, isso significa que a Zoox pode transformar em serviço pago o que até agora era só demonstração gratuita.

A permissão não é ilimitada: o comunicado oficial autoriza a operação de até 2.500 robotáxis por ano, pelos próximos dois anos, sob um acompanhamento que pode ser ajustado conforme a tecnologia amadurece. Vale um detalhe importante — mesmo com o sinal verde federal, a empresa ainda depende da aprovação de cada estado (como Nevada e Califórnia) antes de começar a cobrar de fato.

O detalhe que muda o jogo: um carro pensado sem motorista

Já existem carros autônomos rodando nos EUA — a Waymo, do grupo Google, é o exemplo mais conhecido. A diferença é que os veículos da Waymo ainda têm volante e pedais e poderiam, em teoria, ser dirigidos por uma pessoa. O robotáxi da Zoox nasceu diferente: tem formato de caixinha, portas amplas e uma cabine em que até quatro passageiros sentam de frente uns para os outros, sem qualquer posto de direção. É um carro que só sabe se dirigir sozinho.

Para chegar à versão comercial, a Zoox fez ajustes pensando em quem está do lado de fora: mudou o esquema de cores, reposicionou os refletores para deixar claro onde é a frente e a traseira, e instalou um sistema de áudio nas portas que permite conversar com pedestres e facilita o contato de equipes de emergência com a central da empresa. São mudanças pequenas, mas que mostram um desafio novo — um carro sem motorista também precisa saber se comunicar com o mundo ao redor.

Onde e quando isso começa

O primeiro passo cobrado acontece em Las Vegas, ainda em agosto. A cidade já servia de laboratório: a Zoox vinha oferecendo passeios gratuitos por lá e em São Francisco há mais de um ano. Segundo a empresa, mais de meio milhão de pessoas já andaram nos veículos de graça, e outros 500 mil usuários estão cadastrados na fila de espera. A meta declarada é levar a frota a novas metrópoles americanas ainda em 2026:

  • Dallas
  • Phoenix
  • Austin
  • Miami

Para dar conta dessa expansão, a Zoox montou uma fábrica em Hayward, na Califórnia, com capacidade para produzir até 100 robotáxis por semana. É um sinal de que a aposta não é um piloto isolado, e sim uma tentativa de colocar a tecnologia na rotina das grandes cidades.

O que isso muda pra você

No curto prazo, nada muda no Brasil: a operação é restrita a cidades específicas dos EUA e depende de regras locais. Mas o movimento importa porque marca o momento em que o carro autônomo deixa de ser uma promessa de vídeo promocional e vira um serviço que gera receita, com preço, fila e regulação. Historicamente, é a partir desse tipo de marco que uma tecnologia começa a baratear e a se espalhar para outros mercados — o mesmo caminho que o transporte por aplicativo trilhou anos atrás.

Também é um bom lembrete de que a inteligência artificial que dirige esses carros não vive só na tela do computador: ela já toma decisões no trânsito, a 60 km/h, com gente dentro. E isso levanta perguntas que vão nos acompanhar nos próximos anos — de quem é a responsabilidade em um acidente, como fica o emprego de milhões de motoristas e o quanto confiamos em uma máquina para nos levar do ponto A ao ponto B.

Fontes: a autorização e os detalhes técnicos foram reportados pelo Tecnoblog (tecnoblog.net) e confirmados por veículos internacionais como CNBC e Al Jazeera, que cobriram o anúncio da NHTSA sobre a Zoox.

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