Se você já pediu ajuda ao ChatGPT para escrever um e-mail, resumir um texto ou tirar uma dúvida — tudo em português —, saiba que faz parte de um movimento maior do que parece. Um novo relatório da OpenAI, empresa dona do ChatGPT, revelou que o português se tornou o terceiro idioma mais usado na plataforma, atrás apenas do inglês e do espanhol.
O inglês deixou de ser a língua padrão da IA
Durante muito tempo, usar uma ferramenta de inteligência artificial (a IA — sistemas de computador treinados para imitar tarefas humanas, como conversar, escrever e resumir) significava, na prática, se virar em inglês. O relatório da OpenAI mostra que essa barreira caiu: hoje, mais da metade das pessoas que usam o ChatGPT conversa predominantemente em um idioma diferente do inglês.
Depois do inglês, o ranking dos idiomas mais usados na plataforma ficou assim:
- Espanhol
- Português
- Francês
- Indonésio
- Árabe
Na prática, isso quer dizer que uma parcela enorme das conversas com o robô — o chamado chatbot, um programa que responde por texto como se fosse um assistente — já acontece na nossa língua. E o português não chegou a esse pódio por acaso.
Por que o Brasil pesa tanto nessa conta
Segundo a OpenAI, a América do Sul está entre as regiões que mais cresceram em uso da ferramenta, ficando atrás apenas da África e da Ásia. Com uma população grande, conectada e curiosa por novidades, o Brasil ajuda a explicar boa parte da força do português nesse ranking.
O relatório também aponta uma virada no perfil de quem usa a IA. Contas com nomes tipicamente femininos passaram a representar a maior parte dos usuários do aplicativo. E o Brasil aparece, ao lado de Colômbia, Polônia e Namíbia, entre os países em que as mensagens enviadas por essas pessoas superam com folga as enviadas por usuários com nomes tipicamente masculinos.
Do estranhamento ao hábito
Outro dado chama a atenção: seis meses depois de criar a conta, os usuários passam a enviar cerca de 50% mais mensagens por dia do que enviavam no começo. Ou seja, a IA deixa de ser aquela curiosidade que se testa uma vez e vira parte da rotina — para estudar, trabalhar ou resolver pequenas tarefas do dia a dia.
Esse hábito também aparece em como as pessoas se informam. Um levantamento do Reuters Institute mostrou que o uso semanal de chatbots de IA para acompanhar notícias cresceu de 7% para 10% no mundo em 2026 — e chegou a 13% no Brasil, acima da média global.
O que isso muda para você
Para quem usa a IA no dia a dia, a mensagem é simples: você não precisa mais escrever em inglês nem traduzir suas perguntas para ter boas respostas. Escrever em português claro, com contexto e exemplos, costuma ser suficiente — e tende a ficar cada vez melhor, já que as empresas de IA agora enxergam os falantes de português como um público importante, não como uma exceção.
Para quem cria produtos e serviços — de sites e aplicativos a atendimentos automatizados —, o recado é ainda mais direto: pensar em português desde o início deixou de ser um detalhe e virou vantagem competitiva. O público brasileiro já está dentro da onda da IA; a pergunta é se as ferramentas que oferecemos a ele vão falar a mesma língua.
Fontes: relatório da OpenAI sobre uso do ChatGPT, com repercussão em Olhar Digital (olhardigital.com.br), CNN Brasil (cnnbrasil.com.br) e Canaltech (canaltech.com.br); dados sobre consumo de notícias por IA do Reuters Institute.