Inteligência Artificial

O que as pessoas realmente querem da IA? Pesquisa com 80 mil usuários responde

A Anthropic conversou com mais de 80 mil pessoas em 159 países para entender o que elas esperam da inteligência artificial. A resposta tem menos a ver com tecnologia e mais com ganhar tempo de volta.

Equipe Agility4 min de leitura
Equipe reunida ao redor de um notebook, trabalhando de forma colaborativa em um escritório

Quando se fala em inteligência artificial, é fácil cair na conversa sobre modelos, parâmetros e benchmarks. Mas e as pessoas comuns, o que elas de fato esperam dessa tecnologia no dia a dia? Para responder a isso, a Anthropic — empresa por trás do assistente Claude — fez uma pesquisa diferente: em vez de um formulário frio, deixou uma versão do próprio Claude conversar, uma a uma, com mais de 80 mil pessoas em 159 países e 70 idiomas. O resultado é um retrato bem humano de uma tecnologia que costuma ser descrita só em termos técnicos.

Uma pergunta simples: o que a IA faria por você?

A entrevista foi conduzida dentro do próprio Claude, por uma versão configurada e identificada como "Anthropic Interview". Cada participante recebeu um roteiro de perguntas que se adaptava conforme as respostas — mais perto de um papo do que de um questionário. A pergunta central era quase lúdica: "Se você pudesse usar uma varinha mágica, o que a IA faria por você?".

As respostas mostram que o desejo raramente é a tecnologia em si. O grupo mais citado (19%) falou em buscar excelência profissional: deixar a IA cuidar das tarefas repetitivas para sobrar energia ao que é estratégico. Na sequência apareceram metas bem pessoais.

  • Transformação pessoal (14%)
  • Gestão da vida e da rotina (14%)
  • Mais liberdade de tempo (11%)
  • Independência financeira (10%)
  • Transformação social (9%)
  • Empreendedorismo (9%)
  • Aprendizado e crescimento (8%)
  • Expressão criativa (6%)

Repare no padrão: por trás de pedidos práticos como "escrever e-mails" ou "organizar planilhas", o que muita gente busca é recuperar espaço para a vida pessoal. A IA aparece menos como um fim e mais como um atalho para ter mais tempo.

Está funcionando? Para 81%, sim

A pesquisa também perguntou se as pessoas estão mesmo alcançando o que esperavam. Entre os entrevistados, 81% responderam que a IA já trouxe algum benefício concreto. Dentro desse grupo, 32% destacaram ganhos de produtividade no trabalho — em especial, a sensação de liberar horas do dia. Metade dos participantes citou a otimização do tempo como a principal vantagem.

Usei IA para reduzir um processo de 173 dias para apenas 3 dias. Mas a parte mais significativa é a liberdade de desenvolver minha carreira sem sacrificar o tempo com meus entes queridos.

Engenheiro de software dos Estados Unidos, em depoimento à pesquisa

Outro avanço apontado foi a acessibilidade: 9% dos entrevistados disseram que a tecnologia ajudou a superar barreiras técnicas ou de comunicação. Um participante da Ucrânia, que não fala, relatou ter criado com o Claude um conversor de texto para fala que lhe permitiu conversar com amigos de forma quase natural — algo que considerava impossível antes.

Luz e sombra: os medos também são reais

O relatório não pinta um cenário só otimista. A própria Anthropic descreve a relação das pessoas com a IA como um jogo de "luz e sombra", em que a mesma característica gera vantagem e receio ao mesmo tempo. A principal preocupação foi a falta de confiabilidade — o medo de que a IA simplesmente erre.

  • Falta de confiabilidade (27%)
  • Impacto em empregos e na economia (22%)
  • Perda de autonomia (22%)
  • Atrofia cognitiva, o receio de "desaprender" ao depender da IA (16%)
  • Governança e regras de uso (15%)
  • Desinformação (14%)

As contradições aparecem com clareza. Enquanto 33% veem o aprendizado como um grande ganho, 17% temem justamente o efeito contrário: ficar mais preguiçoso para pensar. E embora metade celebre a economia de tempo, 19% suspeitam de uma "produtividade ilusória" — a sensação de que checar e corrigir o que a IA produz pode, no fim, criar mais trabalho.

O que isso muda para você

Para quem usa ou pensa em usar IA no trabalho ou em casa, a pesquisa serve como um lembrete útil: a pergunta certa não é "o que a IA consegue fazer?", e sim "o que eu quero ganhar de volta com ela?". Se a resposta for tempo, vale começar pelas tarefas repetitivas e chatas — e manter o olhar crítico, conferindo o que a ferramenta entrega em vez de aceitar tudo de primeira. É esse equilíbrio entre delegar e revisar que separa o ganho real da produtividade só aparente.

Os dados citados aqui vêm do estudo divulgado pela Anthropic e da cobertura de veículos como Tecnoblog e Canaltech, que detalharam os números da pesquisa com mais de 80 mil usuários do Claude. As percentagens foram arredondadas para facilitar a leitura.

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