Inteligência Artificial

LinkedIn ganha botão para denunciar "lixo de IA": o que muda no seu feed

A rede social passou a deixar você marcar publicações que parecem geradas por inteligência artificial. Entenda o que é o "AI slop", como usar o novo botão e por que isso afeta o que aparece no seu feed.

Equipe Agility4 min de leitura
Interface digital em uma tela, representando publicações e conteúdos de uma rede social

Se você já rolou o feed do LinkedIn e teve a sensação de estar lendo o mesmo texto motivacional repetido mil vezes, a própria rede social resolveu ouvir essa queixa. A plataforma começou a liberar, de forma gradual e global — já chegando ao Brasil —, um botão para você denunciar publicações que parecem ter sido geradas por inteligência artificial (IA), aquela tecnologia que hoje escreve textos inteiros a partir de um comando.

Afinal, o que é "AI slop"?

O nome que aparece na nova opção é "Seems like AI slop", algo como "parece lixo de IA". A expressão "AI slop" virou popular para descrever a enxurrada de conteúdo produzido em massa por inteligência artificial com pouca ou nenhuma originalidade — o equivalente digital à "encheção de linguiça". No LinkedIn, isso costuma aparecer na forma de textos exageradamente inspiradores, listas genéricas, frases repetidas, uso excessivo de emojis e posts com estrutura quase idêntica entre si, feitos só para buscar curtidas.

Vale um alerta importante: nem todo conteúdo feito com ajuda de IA entra nessa conta. Quem usa a tecnologia apenas para revisar um texto ou melhorar a escrita não é o alvo. A ideia é sinalizar publicações que parecem automáticas e sem valor real, não punir quem escreve com apoio de ferramentas.

Como funciona o novo botão

O recurso fica escondido no menu de três pontinhos que aparece no canto de cada publicação — o mesmo lugar onde você já denuncia ou oculta um post. Segundo o site 404 Media, que revelou a novidade, o botão não faz duas coisas que muita gente imagina:

  • Não remove o post automaticamente: a publicação não some da rede só porque você a marcou.
  • Não confirma que o texto foi mesmo criado por IA: o LinkedIn não afirma que houve uso de inteligência artificial; trata a marcação apenas como um sinal de conteúdo repetitivo.
  • Ao usar o botão, você oculta aquele post do seu próprio feed e envia um retorno para a plataforma, que pode usar esse dado para treinar seus sistemas de detecção de conteúdo automatizado.

A empresa, porém, ainda não detalhou como vai usar essas sinalizações na prática, nem se elas terão peso direto no algoritmo que decide o que aparece para cada pessoa.

Por que o LinkedIn está fazendo isso

O volume de conteúdo artificial na rede deixou de ser piada e virou preocupação de negócio. Um levantamento da empresa Panram apontou que cerca de 41% dos artigos publicados no LinkedIn já teriam algum tipo de ajuda de IA. Não é a primeira mexida nesse sentido: em maio, a plataforma anunciou mudanças no algoritmo para reduzir o alcance de publicações repetitivas ou de baixa qualidade. Junto com o botão, o LinkedIn também vai aposentar o "enhance your post", a função que reescrevia seus textos com IA, trocando-a por um corretor que ajusta as palavras sem alterar o seu jeito de escrever.

O que isso muda para você

Na prática, você ganha um pouco mais de controle sobre o que consome. Marcar um post como "lixo de IA" limpa o seu feed na hora e, no médio prazo, ajuda a rede a entender o que a maioria considera irrelevante. Para quem publica — profissionais, criadores e empresas — o recado é claro: conteúdo genérico e automatizado tende a perder espaço, enquanto textos com voz própria, experiência real e informação útil ganham valor. Escrever "de verdade" volta a ser um diferencial.

Não é só o LinkedIn

O movimento faz parte de uma reação maior das grandes plataformas contra o excesso de material gerado por IA. O YouTube endureceu as regras de monetização para restringir vídeos repetitivos ou produzidos em escala e chegou a remover canais que descumpriam as políticas. O Spotify anunciou um selo de verificação para diferenciar artistas de músicas feitas por IA. Ou seja: depois de anos incentivando a criação com inteligência artificial, o próprio ecossistema digital agora corre para separar o que é útil do que é apenas ruído.

Para o usuário comum, a mensagem é positiva: as redes começam a devolver algum poder de curadoria para as pessoas. E, para quem trabalha com presença digital, fica a lição de sempre — tecnologia é ótima como apoio, mas o que conecta de verdade continua sendo a autenticidade.

Fontes: Tecnoblog ("LinkedIn cria botão para denunciar posts feitos por inteligência artificial"), 404 Media ("LinkedIn introduces a 'Seems Like AI slop' button"), Exame e Canaltech, que também noticiaram o recurso.

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