Depois de uma contagem regressiva que agitou a internet, o criador do Orkut mostrou o que estava preparando: não a volta da rede de 2004, mas uma petição pública para construir uma nova rede social. E, curiosamente, a maior parte dos apoiadores está no Brasil.
O que foi anunciado
Na manhã de 8 de outubro de 2026, o site orkut.com foi atualizado com uma carta de Orkut Büyükkökten, engenheiro que criou a rede quando trabalhava no Google. Nela, ele critica as redes atuais, que organizam o feed pelo que gera mais engajamento (curtidas, comentários, tempo de tela), e fala em bots, deepfakes (vídeos ou áudios falsos feitos com IA) e conteúdo sintético que enfraquecem a confiança entre as pessoas.
A proposta é uma rede centrada em comunidades: grupos de moradores de um bairro, de quem pega a mesma linha de ônibus ou até de quem não gosta de segunda-feira, segundo o Canaltech. A carta também menciona o uso de inteligência artificial para ajudar as pessoas a se conhecerem e reencontrarem amigos, mas sem detalhar como isso funcionaria.
Como participar (e o que a inscrição não garante)
- É preciso ter 18 anos ou mais e informar e-mail e país; nome e telefone são opcionais.
- Não há cobrança nem pedido de doações.
- Quem se cadastra recebe um cartão de apoiador para compartilhar com amigos.
- A inscrição mede interesse: não cria conta, não reserva nome de usuário e não dá lugar em fila.
Os próprios termos do site tratam a iniciativa como campanha de pré-lançamento, sem compromisso de construir o produto e sem data de lançamento, de acordo com o Meio & Mensagem e o Canaltech. A meta declarada é reunir milhões de assinaturas, sem um número mínimo.
Por que o Brasil está no centro
O Orkut foi lançado em 2004 e encerrado pelo Google em 30 de setembro de 2014. Foi muito popular por aqui, ligado à cultura das lan houses dos anos 2000. Hoje, segundo o Tecnoblog, mais de 70% das assinaturas da petição vêm do Brasil, o que mostra que a nostalgia, e talvez a vontade de uma rede diferente, ainda é forte.
O que ainda é incerto
- Quando (ou se) a rede vai sair do papel.
- Quais recursos ela terá: não foram divulgadas imagens da interface.
- Se perfis, mensagens e comunidades antigas poderão ser recuperados: não há indicação disso.
- Quem vai financiar e desenvolver o projeto: a Orkut Inc., dona do domínio, não respondeu ao Canaltech até a publicação.
O que isso muda para você
Por ora, nada: não existe rede para entrar. Mas o movimento mostra uma insatisfação real com feeds infinitos e com o excesso de conteúdo gerado por IA. Para marcas e criadores, a lição é prática: comunidades pequenas, com interesse em comum, voltam a ser um caminho para construir relacionamento de verdade. Se quiser acompanhar, o cadastro é gratuito, mas vale lembrar que ele só demonstra interesse e informa seu e-mail ao projeto.
Fontes: Tecnoblog ("Orkut vai voltar? Depois de suspense, criador publica petição"), Canaltech ("Orkut vai voltar? Site oficial ganha novidade e reacende expectativa sobre rede social") e Meio & Mensagem ("Orkut abre petição mundial para criar nova rede social").