Os óculos inteligentes da Meta — aqueles que têm câmera embutida e conversam com você por voz — acabam de ganhar uma versão mais em conta. Nesta terça-feira (23/06/2026), a empresa de Mark Zuckerberg apresentou a linha Meta Glasses, com preços a partir de US$ 299 (cerca de R$ 1.500 em conversão direta). É um movimento que tenta tirar o produto do nicho dos entusiastas e colocá-lo no bolso de mais gente.
O que mudou: preço menor e adeus Ray-Ban
A novidade mais visível é o preço: os novos modelos chegam cerca de US$ 80 mais baratos que a geração anterior dos Ray-Ban Meta. A segunda mudança é de marca. Pela primeira vez, os óculos não estampam o nome Ray-Ban nem Oakley — eles passam a se chamar apenas Meta Glasses. Mesmo assim, continuam sendo fabricados em parceria com a EssilorLuxottica, a gigante italiana dona justamente da Ray-Ban.
A linha estreia com três modelos. Os Adventurer e Fury saem por US$ 299, enquanto o Starfire, desenhado em parceria com a influenciadora Kylie Jenner, custa US$ 399. Todos são vendidos pela Meta e por redes parceiras da EssilorLuxottica, como a LensCrafters.
O que os óculos fazem
Na prática, os Meta Glasses são óculos comuns com tecnologia escondida nas hastes. Dá para tirar fotos, gravar vídeos e ouvir música sem tirar o celular do bolso, além de falar com a assistente de inteligência artificial da Meta para pedir informações sobre o que está à sua frente. As principais especificações repetem as do modelo Ray-Ban Meta de segunda geração:
- Câmera de 12 MP, com gravação de vídeo em até 3K a 30 quadros por segundo;
- Conjunto de cinco microfones para captar voz e comandos;
- Bateria de cerca de 8 horas de uso, com um estojo que adiciona até 40 horas de recarga;
- Três estilos de armação, com possibilidade de usar lentes diferentes.
A IA Muse Spark e a tradução ao vivo
O grande atrativo do produto é o assistente. Os novos óculos vêm com o Muse Spark, modelo de IA que a Meta diz ter respostas mais precisas. O recurso que mais chama atenção é a tradução ao vivo: você ouve, pelos óculos, a tradução do que alguém está falando à sua frente — útil em uma viagem ou numa conversa com um estrangeiro. A novidade ganhou 14 idiomas, chegando a 20 no total, incluindo mandarim, coreano, japonês, árabe e hindi.
Uma disputa que está esquentando
O lançamento não acontece no vácuo. Ao baixar o preço e criar a própria marca, a Meta tenta sair na frente em um mercado que está prestes a ficar concorrido: o Google avança com sua própria plataforma para óculos com IA, e a Apple também é apontada como próxima a entrar nessa categoria. A aposta de Zuckerberg é que os wearables — dispositivos que vestimos, como relógios e óculos — sejam a próxima grande tela depois do smartphone.
E no Brasil?
Aqui vem a parte chata para quem já ficou animado: por enquanto, os Meta Glasses serão vendidos apenas em mercados selecionados, como Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e parte da Europa. Não há previsão oficial de chegada ao Brasil, e a conversão de US$ 299 para reais não inclui impostos de importação. Ou seja, dá para acompanhar a novidade, mas ainda não dá para comprar por aqui de forma simples.
Mesmo assim, o movimento sinaliza uma tendência que deve chegar até nós: óculos com IA ficando mais baratos e mais úteis no dia a dia, de tirar uma foto rápida a entender um cardápio em outro idioma. Vale ficar de olho — é provável que, em pouco tempo, esse tipo de gadget deixe de ser novidade de gente da área de tecnologia e vire item de prateleira.
Fontes consultadas: Tecnoblog, Olhar Digital e CNBC, que cobriram o anúncio dos Meta Glasses em 23 de junho de 2026.