A Nvidia ficou famosa por fabricar placas de vídeo — aquelas peças que dão conta dos gráficos em jogos e, mais recentemente, do treino da inteligência artificial. Agora a empresa quer ocupar também o "cérebro" do computador. Na Computex 2026, maior feira de tecnologia da Ásia, ela apresentou o RTX Spark, um chip que junta processador e placa de vídeo num pacote só e que, segundo a companhia, deve aparecer nos primeiros notebooks ainda neste ano.
O que é, afinal, esse "superchip"
Em vez de ter uma CPU (a unidade central, que comanda as tarefas do dia a dia) e uma GPU (a parte gráfica, boa em cálculos paralelos) como peças separadas, o RTX Spark coloca as duas no mesmo componente. A Nvidia chama isso de "superchip". Ele é desenvolvido em parceria com a MediaTek e fabricado no processo de 3 nanômetros da TSMC — em termos simples, uma técnica de ponta que permite espremer mais transistores, com mais eficiência, num espaço minúsculo.
O chip usa a arquitetura ARM, a mesma família de projetos que está dentro da maioria dos celulares e nos chips da Apple. A vantagem dela é gastar pouca energia para o desempenho que entrega — o oposto do caminho tradicional dos PCs com Windows, dominado por Intel e AMD. Com o RTX Spark, a Nvidia entra de cabeça nessa disputa por notebooks ARM, terreno onde Qualcomm e Apple já vinham avançando.
Por que isso pode mudar o seu próximo notebook
O grande argumento do RTX Spark é rodar inteligência artificial localmente, no próprio aparelho, sem precisar mandar os dados para a nuvem. Hoje, quando você usa um assistente como o ChatGPT ou o Gemini, o trabalho pesado acontece em servidores distantes. A Nvidia diz que o RTX Spark é capaz de executar modelos e agentes de IA de até 120 bilhões de parâmetros direto no notebook. "Parâmetros" são, grosso modo, os ajustes internos que medem o tamanho e a sofisticação de um modelo de IA — quanto mais, mais robusto ele tende a ser.
Na prática, isso pode significar respostas mais rápidas, funcionamento mesmo sem internet e mais privacidade, já que informações sensíveis não saem do seu computador. Para sustentar essa promessa, a ficha técnica chama atenção:
- CPU com arquitetura Grace (ARM) de 20 núcleos, focada em eficiência;
- GPU com arquitetura Blackwell e 6.144 núcleos CUDA (os pequenos processadores que fazem os cálculos gráficos e de IA);
- 1 petaflop de desempenho para IA — ou seja, capacidade para cerca de um quatrilhão de operações por segundo nesse tipo de tarefa;
- até 128 GB de memória unificada LPDDR5X, com largura de banda de 600 GB/s, compartilhada entre processador e gráficos.
Segundo o Olhar Digital, o conjunto reúne cerca de 70 bilhões de transistores e teria uma parte gráfica em nível equivalente ao de uma placa de vídeo intermediária de mesa, a GeForce RTX 5070.
Não é só trabalho: também tem jogo
A Nvidia não quer que o RTX Spark seja visto apenas como um chip de produtividade e IA. Na demonstração, a empresa mostrou jogos AAA (os títulos de grande orçamento) rodando em resolução 1440p a 100 quadros por segundo apenas com a bateria — provavelmente com a ajuda do DLSS, a tecnologia da casa que usa IA para gerar quadros extras e aliviar o trabalho da placa.
“O PC está sendo reinventado. Durante 40 anos, você abria aplicativos, clicava e digitava. Com o RTX Spark e o Windows, você pede e o computador faz o trabalho.”
— Jensen Huang, CEO da Nvidia
Quando chega — e o que ainda não sabemos
A Nvidia afirma que os primeiros notebooks e mini PCs com o RTX Spark devem chegar ao mercado a partir do segundo semestre de 2026, com nomes como Asus, Dell, HP, Lenovo, MSI e a própria Microsoft. A empresa também adiantou que pretende lançar novas gerações do chip — batizadas de Rubin e Feynman — até o fim da década. Ainda não está claro se os modelos com o superchip vão conviver com as placas GeForce tradicionais nos notebooks ou substituí-las.
Vale lembrar que tudo isso ainda são números e promessas da própria fabricante, feitos num palco de feira. O desempenho real, o preço e a duração de bateria só vão ficar claros quando os primeiros aparelhos chegarem às lojas e passarem por testes independentes. Mas, mesmo com o pé atrás, dá para dizer que a disputa por quem fará o cérebro do seu próximo notebook acabou de ficar bem mais interessante — e isso costuma ser bom para quem compra.
Fontes e leitura complementar: Canaltech (canaltech.com.br), Tecnoblog (tecnoblog.net) e Olhar Digital (olhardigital.com.br), que acompanharam o anúncio do RTX Spark na Computex 2026.